A abertura será de Jerry Espíndola, a partir das 17 horas. Expectativa é de até 10 mil pessoas.
Em 1991, o maranhense José Ribamar acabara de chegar para morar em São Paulo. Com um show para fazer, seu amplificador havia pifado durante a viagem, de carro, de São Luís à Paulicéia. O amigo e poeta Celso Borges, então, lembrou de uma pessoa que poderia lhe emprestar um amplificador: “Zeca, conheci um cara da Paraíba, vocês vão se adorar. Vocês não têm nada a ver, e têm tudo a ver”, disse Celso, se referindo a Francisco.
E foi assim – a partir de um amplificador emprestado – que Zeca Baleiro e Chico César tornaram-se amigos, roomates (dividiram morada naquele início dos 1990) e parceiros na estrada musical. Trinta e três anos depois, eles lançaram, em março passado, o álbum conjunto “Ao Arrepio da Lei”, que coroa essa amizade, com 11 parcerias inéditas dos artistas. Chico e Zeca apresentam o show baseado no novo álbum neste domingo (9), a partir das 17h, no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande.
Nessa edição do MS ao Vivo a abertura será de Jerry Espíndola, com o show 40 Tons, a partir das 17 horas. A entrada é gratuita.
Os organizadores esperam entre 5 mil e 10 mil pessoas.
“Ao Arrepio da Lei”
Apesar da relação antiga, Chico e Zeca nunca foram de compor muito juntos. “Nossa parceria nunca se deu muito no plano da composição. Era mais num plano de troca estética mesmo”, conta Zeca. Da dupla, as mais conhecidas são “Pedra de Responsa” e “A Dança do Papangu”.
No entanto, em 2020 e 2021, durante a pandemia, eles começaram a criar muito em parceria. “Quando nos demos conta. Nós já tínhamos ali umas 22 canções novas”, lembra Chico. Onze delas foram escolhidas para entrar no disco, que foi produzido pelo também parceiro de longa data de ambos, Swami Jr.
O papel do artista
“ Ao arrepio da lei/ Me criei contra o sistema/ Vender poemas/ Virou minha profissão/ Com a viola a tiracolo/ Sou problema/ Carrego o lema/ De lutar contra a opressão ”, diz uma das estrofes da faixa-título. De certa forma, uma reflexão sobre esse lugar “anti sistema” do artista e da sua arte.
“Eu sinto que a própria manifestação artística já é uma luta contra a opressão da realidade, por ela trazer um elemento de alucinação, certo delírio. A realidade, às vezes, é muito dura. Para você ver a realidade, você tem que delirar”, diz Chico César.
“Nós nos criamos dentro dessa mística do artista bandoleiro, do artista rebelado. E aí, cada um, dentro do seu potencial e das suas limitações, e das limitações do próprio tempo, vai vivendo essa disrupção, que é ser artista num mundo às vezes tão distópico. Eu sinto que esse disco reafirma um pouco as nossas crenças no artista rebelde, na arte que desafia a realidade”, completa o paraibano.
“É num sentido mais amplo, de que a arte deve ser anti-sistêmica, mesmo que o artista esteja inserido no ‘mercado’. Sei que soa paradoxal, e é (risos). Mas acho possível ocupar esse lugar. Acho que eu e Chico estamos em parte nesse lugar, de termos um público grande, mas não termos calado nossa voz ‘política’ (aqui no sentido mais amplo do termo)”, discorre Zeca Baleiro.
40 Tons, por Jerry Espíndola
Comandado por Jerry Espíndola, 40 Tons é o show que reflete as quatro décadas de atuação do cantor e compositor campo-grandense.
Com 12 álbuns lançados e mais de 140 músicas gravadas por ele e vários artistas conhecidos nacionalmente, como Ney Matogrosso, Paulinho Moska e Zélia Ducan, Jerry sintetiza no espetáculo o melhor de sua trajetória que vem desde a década de 1980, quando Jerry participa da cena do rock brasileiro como vocalista da banda Incontroláveis.
Aí, começa uma caminhada que rendeu muitos shows e prêmios importantes para o artista, como o Prêmio de Composição Popular recebido em 2008 pela Funarte. No repertório, canções pop, a polca-rock e músicas que refletem toda a extensa influência musical de Jerry, da música fronteiriça ao rock.
Acompanhado por Sandro Moreno na percussão eletrônica e bateria, Rodrigo Teixeira no baixo e Gabriel de Andrade na guitarra, o quarteto está pronto pra mostrar um pouco da obra desse importante artista do centro-oeste brasileiro.