23.8 C
Campo Grande
sábado, 5 de abril, 2025
spot_img

Com ações na Justiça, Bolsonaro aposta no Senado para reequilibrar forças políticas

Reforçar ala política na Casa com nomes da família é aposta do ex-presidente e pode aumentar pressão sobre o STF

Agora réu no STF (Supremo Tribunal Federal) no inquérito sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem entre os objetivos dele para o pleito de 2026 construir apoio para garantir a vitória de aliados em todo o Congresso Nacional.

Pela situação junto ao Supremo, o foco dele é maior no Senado, que pode pautar temas ligados à conduta de ministros da corte e até um eventual pedido de impeachment. Conforme apurado, o ex-presidente deve apostar em nomes da própria família para a Casa

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro estreará em uma eleição na disputa por uma cadeira ao Senado pelo Distrito Federal, enquanto Eduardo Bolsonaro, atualmente licenciado do cargo de deputado, deve concorrer por São Paulo. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cujo mandato vence em 2027, deve tentar a reeleição.

Bolsonaro tem pedido de forma reiterada ao PL para reforçar a presença da direita no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado. Em reunião no último 1º de fevereiro, o político afirmou que alcançar metade de cada uma das Casas garantiria governabilidade em temas ligados ao país.

“Por ocasião das eleições do ano que vem, me deem metade da Câmara e metade do Senado, que eu movo o Brasil”, disse Bolsonaro na ocasião.

Campanha dentro do partido

Entre os nomes ligados à direita que podem concorrer para o PL está o do advogado e comentarista político Marco Antonio Costa, que tenta costurar uma candidatura ao Senado. Apesar de morar em São Paulo, ele está de mudança para Minas Gerais e tem conversado com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para se filiar ao partido.

Costa já se reuniu também com lideranças locais mineiras, como os deputados federais Nikolas Ferreira (PL) e Domingos Sávio (PL) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Além disso, ele já conversou com Bolsonaro.

Em Santa Catarina, duas deputadas federais podem se viabilizar ao Senado no próximo pleito: Júlia Zanatta (PL-SC) e Caroline de Toni (PL-SC). Ambas são cogitadas por Bolsonaro.

Peso do Senado

Atualmente, existem 58 petições contra ministros do STF apresentadas no Senado, mas não há qualquer previsão de análise dos pedidos. A Casa é o único local com competência para analisar solicitações ligadas à conduta de ministros da corte, como solicitações para impeachment.

Uma eventual mudança na composição da Casa a partir de 2027, com peso maior a uma ala ligada a Bolsonaro, poderia pressionar para que as representações passassem a ser analisadas.

Atualmente, o PL perde para o PSD e tem a segunda maior bancada do Senado, com 14 congressistas. Desses, cinco estão em mandato próximo ao fim: Carlos Portinho (RJ), Flávio Bolsonaro (RJ), Dra. Eudócia (AL), Eduardo Gomes (TO) e Izalci Lucas (DF). Todos podem tentar a reeleição, mas Izalci é cotado para disputar o Governo do DF.

Portinho explicou que a ideia de ter uma bancada forte é para “equilibrar as forças entre os Poderes”.

“Há uma descompensação enorme hoje, e é preciso que o Poder Legislativo se imponha e tenha maioria fundamental para isso, inclusive para provar pautas que sejam importantes para a governabilidade do país, o livre-mercado, o avanço de pautas que a direita defende. Precisa ter a maioria, por exemplo, para provar uma PEC, qualquer que seja o seu assunto”, contou.

Senador por Santa Catarina, Jorge Seif (PL) considera que o Parlamento brasileiro tem muita força e que quem tiver a maioria da Casa nas mãos, “tem o governo do Brasil”. Ele nega que a ideia seja pautar impeachment de ministros do STF de imediato.

“Cada coisa no seu tempo. Ninguém quer perseguição nem revanchismo. Mas com maioria, pode-se iniciar uma investigação”, declarou.

Ele acredita que a direita vai aumentar a bancada em 2026 e que uma eventual prisão de Bolsonaro por causa da tentativa de golpe pode “turbinar” votos nos candidatos do PL, e não enfraquecer.

Fale com a Redação