No próximo sábado (5), às 19h, a Comunidade Quilombola São João Batista, localizada no bairro Santa Branca, em Campo Grande, receberá mais uma sessão do Projeto Olubayo. A exibição gratuita, com classificação livre, ocorrerá na associação da comunidade, situada na Rua Barão de Limeira, nº 1580, região sul da capital sul-mato-grossense.
Com o objetivo de democratizar o acesso ao cinema e fomentar reflexões sobre cultura, resistência e ancestralidade, o Olubayo já percorreu sete comunidades negras de Mato Grosso do Sul. Agora, chega à sua oitava etapa, reafirmando seu compromisso com a valorização da história e identidade do povo negro.
O nome “Olubayo” carrega um significado potente. De origem iorubá, a palavra significa “maior alegria”, conceito que sintetiza a essência do projeto, conforme destaca a Professora Bartô, idealizadora da iniciativa.
“E é exatamente isso que o projeto representa: a alegria de estar nas comunidades, levando arte, promovendo o acesso ao cinema e, ao final de tudo, abrindo espaço para a reflexão sobre a história e a cultura do povo negro. O cinema é uma ferramenta potente na luta contra o racismo e na valorização das nossas raízes e de uma sociedade mais justa”, enfatiza Bartô.
Financiado pela Lei Paulo Gustavo (LPG), o Olubayo integra as comemorações pelos 40 anos do Grupo TEZ (Trabalho Estudos Zumbi), coletivo que tem papel fundamental na promoção da cultura afro-brasileira.
A experiência de levar o cinema a territórios quilombolas já impactou diversas comunidades. Nilson Jerônimo da Silva, presidente da Comunidade Quilombola Rural dos Pretos, em Terenos, relatou a importância da iniciativa, destacando como os filmes fortalecem a identidade e o reconhecimento das histórias negras.
“Quando vemos pessoas como nós protagonizando suas próprias histórias, nos enxergamos na tela com toda a nossa força e trajetória. Filmes como ‘Luzes De Baixo’ nos fazem pensar sobre o racismo. Minha netinha, por exemplo, com apenas 5 anos, já passou por uma situação de preconceito na escola. Felizmente, a escola soube agir, mas ter projetos como o Olubayo é essencial, porque fortalece os laços entre os moradores e nos dá mais ferramentas para nos defendermos e combatermos o racismo”, afirmou Nilson.
O repertório das exibições reflete o compromisso do projeto com a representação e a discussão de temáticas essenciais para as comunidades negras. Entre os filmes exibidos estão: Fábula da Vó Ita, de Joyce Prado; Bonita, de Mariana França; Luzes Debaixo, de Tero Queiroz; Águas, de Raylson Chaves; e Jardim de Pedra – Vida e Morte de Glauce Rocha, de Daphyne Schiffer.
Com mais de 400 espectadores alcançados em sete comunidades, o Projeto Olubayo segue sua jornada, encerrando sua itinerância no dia 12 de abril, na Associação da Comunidade Negra Quilombola Urbana Eva Maria de Jesus – Tia Eva, também em Campo Grande.